UMA MULHER DE ORAÇÃO

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RIO DE JANEIRO, RJ, Brazil

Colossenses 4:2

Perseverai em oração, velando nela com ação de graças;

Provérbios 15:29

O SENHOR está longe dos ímpios, mas a oração dos justos escutará.

Atos 1:14

Todos estes perseveravam unanimemente em oração e súplicas, com as mulheres, e Maria mãe de Jesus, e com seus irmãos.

Romanos 12:12

Alegrai-vos na esperança, sede pacientes na tribulação, perseverai na oração;

Salmos 5:3

Pela manhã ouvirás a minha voz, ó SENHOR; pela manhã apresentarei a ti a minha oração, e vigiarei.

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sexta-feira, 29 de junho de 2012

SALMO 6 – SALVAÇÃO PELA GRAÇA

SALMO 6 – SALVAÇÃO PELA GRAÇA

Há muitas coisas que podem acontecer com um homem de Deus. Davi era um homem singular: ele era um rei, era um profeta, e, portanto, era um líder espiritual e o povo esperava muito dele. Sua responsabilidade era grande, e ele sabia disso. No entanto, as coisas não estavam indo muito bem com ele, pelo que se pode ver nos seus próprios escritos. Mas, as coisas podiam mudar; assim cria o grande poeta e cantor de Israel.

Muitas vezes não podemos senão ver sombras em nossa vida; as trevas se avizinham, e não temos nenhuma perspectiva de como ver uma luz no final do túnel. Muitas vezes sentimos que as coisas podem piorar, e entramos em pânico. Mas, aqui neste Salmo 6, vemos 4 coisas que aconteceram com Davi, e 4 coisas que podem acontecer com você, 4 coisas que podem acontecer com um cristão sincero.

I – MEDO (v. 1-3)

Davi tinha medo da ira divina. Ele orou: “Senhor, não me repreendas na tua ira, nem me castigues no teu furor.” No salmo 3:6, ele dissera: “Não tenho medo de milhares do povo que tomam posição contra mim de todos os lados!” Mas agora, ele tinha medo da ira de Deus. E isso pode acontecer com qualquer cristão, que tenha um pouco de sensibilidade espiritual.

De onde vem o medo da ira de Deus? O medo vem por causa do pecado. Adão e Eva estavam felizes no Jardim do Éden. Então, eles cometeram o pecado. Mas Deus não tinha abandonado os Seus filhos e foi procurá-los pela viração do dia, como de costume, mas eles estavam escondidos. E Deus chamou ao homem e lhe perguntou: “Adão, onde estás?” A resposta veio com muitos receios: “Ouvi a Tua voz no Jardim e tive medo e me escondi!” (Gn 3:10).

E agora vemos a Davi, um homem “segundo o coração de Deus”, que estava com medo de Deus! Não é incrível? Um homem que possuía muita luz do conhecimento do seu Benfeitor, agora estava temendo ser repreendido e castigado pela ira de um Deus vingador! Mas como podia acontecer isso com Davi? A razão era a mesma de Adão. Ele havia pecado contra Deus e sabia da gravidade do seu pecado. Ele sentia uma profunda convicção de pecado e temia que Deus o castigasse. Ele sabia que a ira de Deus é despertada pelo pecado. Ele sabia que a ira de Deus era a manifestação da Sua justiça contra o seu pecado.

Ele sentia o peso da culpa, e ele temia a repreensão e o castigo de Deus. Ele foi repreendido por Natã, ele foi repreendido por sua esposa Mical, ele foi repreendido por Joabe, o comandante do seu exército. A repreensão humana, ele podia suportar. Mas tinha medo e grande pavor de ser repreendido e castigado por um Deus irado por causa dos seus pecados. Portanto, ele tinha muitos motivos para orar desse modo: “Senhor, não me repreendas na tua ira, nem me castigues no teu furor”.

A grande pergunta é esta: Será que Deus castiga? Ele nos pune por causa de nossos pecados? Há muitas pessoas nesse mundo que tem medo de Deus. Elas foram ensinadas desde a infância a temer um Deus que fica muito irado quando erramos. E muitos pregadores, para contrapor-se a este sentimento, para consolar os que são assim atribulados, adquirem a fama de populares pregando que Deus não castiga a ninguém, porque é um Deus de amor e um pai de amor não castiga os seus filhos pelos erros que cometem.

Mas qual é a verdade? O que a Bíblia diz sobre esse assunto? A Bíblia diz que Adão foi punido pelo seu pecado, e a ira de Deus se manifestou, quando eles foram expulsos do Paraíso. Deus castigou o mundo antediluviano, e destruiu a todos os pecadores. Deus castigou a Sodoma e Gomorra, e Sua ira se manifestou com fogo e enxofre. Deus castigou ao povo de Israel, mandando-os para o exílio assírio e babilônico por causa de seus muitos pecados e transgressões.

E isso não se limita ao Antigo Testamento, porque logo na Igreja primitiva, vemos Ananias e Safira sendo mortos por causa de sua hipocrisia, mentira e roubo. Vemos Herodes sendo morto, por causa de sua blasfêmia e orgulho. E podemos ainda adicionar a ira de Deus se manifestando nas 7 últimas pragas contra o mundo inteiro por causa de seus pecados.

Davi conhecia a Deus e teve de ser castigado algumas vezes por seus erros, porque ele era um rei teocrático, e tinha de ser exemplo de justiça para o povo, além de ter uma grande luz acerca do caráter divino. E a Bíblia ensina que, quanto mais luz tivermos, maior será a repreensão e o castigo (Lc 12: 47-48). E agora, vamos pregar que Deus não castiga, enganando o povo com falsas insinuações? A resposta não é esta. O consolo é outro. A esperança se encontra na Cruz de Cristo, porque lá “o castigo que nos traz a paz estava sobre Ele, e pelas Suas feridas fomos sarados” (Is 53:5). Jesus Cristo foi castigado por causa dos nossos pecados, e, portanto, não precisamos mais ser castigados.

Entretanto, Paulo ainda nos adverte: “Se vivermos deliberadamente [voluntariamente]em pecado, depois de termos recebido o pleno conhecimento da verdade, já não resta sacrifício pelos pecados; pelo contrário, certa expectação horrível de juízo e fogo vingador prestes a consumir os adversários... Horrível coisa é cair nas mãos do Deus vivo” (Hb 10: 26-27,31). Se continuarmos em pecado conhecido, estaremos calcando aos pés o Filho de Deus e ultrajando o Espírito Santo da graça e só podemos esperar um castigo severo (v. 29).

Entretanto, a grande resposta para as nossas almas aflitas é o próprio exemplo de Davi. Ele sabia de tudo: ele reconhecia o seu pecado, sabia do castigo que merecia, conhecia o caráter justo de Deus, sabia que Ele não faz acepção de pessoas.  Mas ele também sabia como Deus age diante de alguém que lhe suplica a misericórdia, e se humilha, reconhecendo o seu pecado e se arrependendo sinceramente. Sabia por experiência que Deus Se inclina para ouvir e atender aos que tem fé suficiente para crer no Seu amor extraordinário, e que está sempre nos dizendo: “Com amor eterno Eu te amei; por isso, com benignidade te atraí.” (Jr 31:3). Davi é um exemplo de um pecador tremente diante da ira de Deus, mas que vence o seu temor por uma fé inquebrantável na misericórdia de Deus.

Muitas vezes, por causa de nossos erros, o Senhor nos repreende em Sua justiça, mas mistura Sua repreensão com a misericórdia e nos fala por Seus agentes. Pode ser através da esposa, dos amigos, do pregador, ou até por nossos filhos, ou pela simples leitura da Bíblia. Ninguém gosta de ser repreendido. Mas muitas vezes a repreensão de humanos é uma obra de Deus, misturada com Sua compaixão, a fim de velar a Sua ira e nos fazer voltar aos caminhos da justiça.

O que faz o medo da ira divina? Temos que nos livrar desse temor que conspira contra a nossa alma.

1- O medo da ira de Deus enfraquece todo o sistemaV. 2: “Tem compaixão de mim, Senhor, porque eu me sinto debilitado.” Davi suplica pela compaixão divina, porque se sentia enfraquecido, abatido. A compaixão de Deus pode desviar a Sua ira, de tal modo que nos sentimos fortalecidos. O medo da Sua ira pode abater a nossa força física, como um resultado geral de todas as coisas ruins que podem advir desse temor.

2- O medo da ira de Deus debilita a saúde dos ossos. V. 2: “Sara-me, Senhor, porque os meus ossos estão abalados.” O medo infligido pelo pecado causa a doença do corpo e chega a atingir os ossos. Davi estava com esse grande problema, doente e com dor nos ossos.

Certa vez enquanto um pastor adventista estava fazendo uma conferência numa grande cidade, um homem coxo, de meia idade, e que sofria intensamente, foi levado à plataforma após a conferência. Disse ele para o pregador adventista que todo aquele dia estivera pensando seriamente no suicídio como fim para as suas misérias. Mas, agora, um de seus filhos lhe levara um convite para a conferência que estava sendo pronunciada naquela noite.

Disse ele: “O título de sua conferência me atraiu, e decidi ouvi-lo antes de meter uma bala na cabeça. Talvez o senhor tenha uma feliz solução para a minha vida angustiosa. Nos últimos catorze anos venho sofrendo de reumatismo agudo. Às vezes fico na cama três meses seguidos. Não há remédio que possa curar-me ou aliviar-me.”

Marcaram um encontro para o dia seguinte, e ele contou ao conferencista a sua triste história. Vinte anos antes estivera no caminho da prosperidade. Casara com uma linda jovem e possuía sua casa própria. Então seu pai, um rico homem de negócios, confiou ao filho alguns encargos comerciais. Este tirou vantagem da situação e, mediante processo estritamente legal, privou o pai de grande quantidade de títulos, apropriando-se deles.

Desesperado, afinal, o pai levou o próprio filho diante dos tribunais, sem nenhum resultado. Oprimido pela dor, o pai morreu alguns meses depois. O filho sentiu que havia sido a causa da morte do pai. Depois disto, graças à má administração, e como uma condenação a suas más obras, perdeu tudo, até mesmo o que havia ganho licitamente antes de arruinar o pai. Assim privara a mãe e as irmãs de uma boa herança.

Agora tinha uma grande família. Nos últimos catorze anos, vinha sofrendo de reumatismo que lhe inutilizara os dedos e causava tanta dor que muitas vezes ficava meses sem poder sair da cama. Sua culpa o perseguia e atormentava cada minuto de sua vida.

Acrescentou ele que sua mãe e uma irmã casada estavam vivendo na mesma cidade, de maneira que o conferencista mandou chamá-las no dia seguinte. Depois de haver-lhes falado sobre o assunto, conseguiu que o pobre enfermo fosse recebido. Ali, humildemente pediu perdão à sua mãe e a Deus. Depois de ouvir as palavras de perdão da mãe, um sorriso aflorou-lhe nos lábios, e ele disse: "Este é o meu primeiro momento feliz em vinte anos”.

Como resultado, dois dias mais tarde ele pôde andar com o auxílio de uma bengala e, pouco depois, se locomovia como um jovem! Nunca mais sofreu de reumatismo. Normalizando a situação de sua consciência, ele conseguiu ver melhorada sua saúde e começou a encontrar alegria na vida. O que os médicos e os remédios não puderam fazer, a confissão da culpa logrou alcançar. Agora, ele leva uma vida contente e próspera. Não tem mais ansiedade ou medo de si mesmo, dos outros e de Deus.

3- O medo da ira de Deus aflige a alma: V. 3: “Também a minha alma está profundamente perturbada.” Davi tinha um problema psicológico, que afetava o seu ser completo. A sua alma estava “profundamente perturbada”, com remorso, angústia e dor. E, como nós somos unidades indivisíveis, há uma estreita relação entre a mente e o corpo: “A relação existente entre a mente e o corpo é muito íntima. Quando um é afetado, o outro se ressente”. (E.G.White, Mente, Caráter e Personalidade, vol. I, pág. 60). Quando a alma está em profunda angústia, o corpo sofre e adoece. Assim se encontrava Davi. A culpa do seu pecado trouxe a doença, o remorso, e o medo de Deus.

Então, ele suplica angustiado: “Tem compaixão de mim, Senhor!” (v. 2). Precisamos de restauração do corpo, da alma e do espírito. Precisamos de mais saúde e isso depende da compaixão divina. Muitas vezes, nós perdemos a saúde por causa de nossos erros e extravagâncias. Necessitamos da compaixão divina, a fim de sermos sarados de nossas loucuras. Mas, também, não devemos abusar da Sua misericórdia.

Ellen White, certa vez foi convidada a orar por um homem casado que apesar das relações conjugais com a esposa, ainda vivia se masturbando, e danificando o seu sistema nervoso e debilitando a sua energia vital. Agora que se encontrava fraco e doente, alguns membros da sua igreja pediram que ela orasse por esse homem vítima de suas paixões baixas, embora ninguém soubesse do que estava acontecendo. Ela, no entanto, foi avisada por Deus que não orasse por esse homem, porque não seria atendida; porque se ele fosse curado, apenas continuaria no pecado, e usaria a saúde para continuar no vício. Seguramente, não devemos abusar da graciosa misericórdia divina que nos mantém vivos para sermos reflexos da Sua glória.

O desespero de Davi estava esmagando a sua alma, e ele faz uma pergunta inquietante: “Senhor, até quando?” (v. 3), diz o salmista. “Até quando?” é o indicador de que as forças do justo estão se exaurindo, se esgotando. “Até quando?” significa o desespero da alma que não agüenta esperar mais. “Até quando?” é o clamor do justo que já suplicou muitas vezes, mas não encontrou a resposta para as suas angústias.

II – SALVAÇÃO (v. 4-5)

A outra coisa que pode acontecer a um cristão em angústia por seu pecado e pelo seu medo é salvação.

1- Davi queria salvação da ira de Deus. Ele sabia por experiência própria o que significava ser castigado por Deus, e ele agora pedia salvação da ira e do furor de Deus contra ele por causa de seu pecado. Então, Davi faz um veemente apelo: v. 4: “Volta-Te, Senhor”. Ele estava com receio e medo da ira de Deus e agora pede que Ele volte da ira para a misericórdia. Que Ele faça o caminho de volta, desviando-Se do Seu furor para a compaixão de que tanto ele precisava.

De fato, salvação é da ira divina. Deus nos salva de Sua própria ira. O apóstolo Paulo disse: “Sendo justificados pelo Seu sangue, seremos por Ele salvos da ira!” (Rm 5:9). Quando chegar o grande Dia do Juízo, quando a ira divina se manifestar nas 7 últimas pragas sobre esse mundo ímpio, nós seremos salvos dessa ira. Mas esta é uma promessa que se aplica também para o tempo presente (Rm 3:26). Somos salvos de Sua ira agora mesmo, porque Deus pode contemplar a Cruz de Jesus Cristo e ver o Seu sangue derramado, fazendo propiciação por nós, que clamamos pela Sua salvação.

2- Davi queria livramento do pecado. Davi disse, no v. 4: “Livra a minha alma”. O pecado aprisiona a alma, o medo encerra o pecador em remorsos. O pecado escraviza o homem e daí ele se encontra sem poder, fraco, abatido, “sem ar, sem luz, sem razão”. “Todo o que comete pecado é escravo do pecado”, disse Cristo. Mas Ele também disse: “Se, pois, o Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres.” (Jo 8:34,36). Podemos crer na libertação do pecado pelo Filho de Deus. Ele nos liberta do pecado completamente, e agora Se encontra no Céu e intercede por nós.

3- Davi queria salvação de graça. As suas palavras textuais são estas: V. 4: “Salva-me por tua graça.” Davi ora por salvação pela graça. Davi conhecia o Evangelho. Não é admirável? Muitos teólogos populares poderiam se surpreender com uma oração rogando salvação pela graça registrada no Antigo Testamento. Dizem muitos teólogos modernos que há duas dispensações, a Dispensação da Lei, que era a dispensação do Antigo Testamento, quando todos os homens se salvaram pela observância dos mandamentos de Deus; e a Dispensação da Graça, que é a nossa dispensação, do Novo Testamento, quando todos os cristãos podem se salvar pela livre graça de Deus.

Mas isso é uma falsa doutrina. Essa teoria cria a necessidade da existência de duas classes de pessoas redimidas. A 1ª classe formada de pessoas que se jactam de suas realizações; a outra, seria formada de pessoas humildes. Entretanto, jamais teremos no Céu duas classes de salvos, uns que se salvaram pelas obras, e poderiam dizer: “Nós fomos salvos graças aos nossos esforços, porque praticamos as obras da Lei”, e outra classe de cristãos humildes que teriam de confessar: “Nós, pelo contrário, nada temos de mérito em nossa salvação, porque estamos aqui por causa da graça de Deus através de Jesus Cristo, que morreu para nos salvar!”
De fato, tanto o Novo quanto o Antigo Testamento testificam que todos os homens serão salvos pela graça. O apóstolo Paulo disse: “A graça de Deus se manifestou salvadora a todos os homens” (Tt 2:11). Portanto, não pode haver duas dispensações, não pode haver divisões no que se refere ao meio de salvação; todos se salvarão do mesmo jeito como está planejado por Deus, “porque não há distinção, pois todos pecaram e carecem da glória de Deus, sendo justificados gratuitamente, por sua graça, mediante a redenção que há em Cristo Jesus” (Rm 3: 22-24).

O salmista temia a ira de Deus e agora, ele pede que Deus o salve pela Sua graça. Assim é o Evangelho. A salvação nos é dada gratuitamente. “Pela graça sois salvos, mediante a fé.” (Ef 2:8), disse o apóstolo Paulo. Como você se sente quando eu falo da graça? Será que as cordas de sua alma vibram de emoção pela graça maravilhosa de Deus? Você sente o coração cheio de esperança?

Então, Davi argumenta com DeusV. 5: Ele dá uma razão por que deveria ser salvo: “Pois, na morte, não há recordação de ti; no sepulcro, quem te dará louvor?” Davi dirige uma pergunta poderosa para Deus: “Senhor, se eu morrer, como poderei continuar a Te louvar, como poderei me lembrar dos Teus poderosos feitos?” Aqui temos um dos segredos da oração eficaz. Quando você orar e pedir salvação, argumente com Deus nos Seus termos e diga: “Senhor, salva-me por Tua graça, porque se eu morrer, não poderei continuar Te louvando!”, e Deus atenderá à sua oração, pois esse é um argumento muito forte, que fere a sensibilidade do próprio Deus. Se quiser ser atendido, use os argumentos que Deus inspirou.

“Na morte não há recordação de Ti”. Muitos hoje ensinam a consciência após a morte, dizendo que a morte é o momento em que a alma sai de sua prisão corpórea, a fim de estar sempre se lembrando de Deus no Céu, para nunca mais esquecê-lO. Mas se isso fosse verdade, a morte seria uma bênção, procurada pelos filhos de Deus como um meio de recordar a Deus por toda a eternidade. Mas o salmista diz exatamente o contrário: “Na morte, não há recordação de Ti!” Na morte não há consciência de Deus. Portanto, ele quer ser livrado da morte!

Davi não cria na imortalidade da alma. Se ele cresse na teoria de que os mortos justos vão para o Céu após a morte, a fim de louvar a Deus, ele jamais teria dito: “No sepulcro, quem te dará louvor?” Estas palavras não fortalecem o ensino da imortalidade incondicional. Se ele cresse assim, ele teria dito: “No sepulcro, teremos o início de um louvor eterno. Senhor, se eu morrer, haverei de me lembrar de Ti todos os dias da eternidade; se eu descer ao sepulcro, não haverá nenhum problema, porque eu tenho uma alma imortal, e O louvarei para todo o sempre!”

Mas Davi não escreveu isso. Ele declarou que na morte não há consciência, não há sabedoria, não há nenhum conhecimento, nem do que se passa na terra, como também do que se passa no Céu. Ele falou que ao morrer, o homem perde a sua capacidade espiritual de louvar a Deus.

Se aquela teoria popular fosse verdade, a morte seria muito bem-vinda. Mas a morte não é a libertação da alma que se desprende do corpo para festejar a sua liberdade, a fim de subir ao Céu, e dar ao crente a oportunidade de louvar a Deus no Paraíso eternamente. A morte é uma maldição que o pecado trouxe da qual somos salvos por graça de Deus.

Davi não ensina a imortalidade da alma. A única coisa neste salmo que ele ensina sobre a natureza do homem é que a sua alma está “profundamente perturbada”, que o seu espírito está debilitado e que os seus ossos estão abalados fisicamente. Ele sentia a aproximação da morte, mas não pôde dizer que logo iria louvar a Deus no Céu, eternamente, porque não cria nisso, e nem podia crer, por não ser verdade. Portanto, ele ensina muito mais a fragilidade da alma do que a sua imortalidade.

III – O CANSAÇO (6-7)

1- Davi estava cansado de tanto gemer. Davi sentia a sua alma cansada dos resultados fatais do pecado, que incluem o gemido da alma. Isso também pode acontecer com você. O cristão também está cansado de tanto gemer. Disse o apóstolo Paulo: “Também nós, que temos as primícias do Espírito, igualmente gememos em nosso íntimo, aguardando a adoção de filhos, a redenção do nosso corpo” (Rm 8:23).

Os cristãos sentem os impulsos da natureza pecaminosa, as insinuações da carne e, muitas vezes, cometem pecado e gemem; isso, mesmo possuindo as “primícias do Espírito Santo”, os Seus primeiros frutos da salvação. Portanto, aguardamos o dia em que teremos o nosso corpo redimido, transformado. Estamos cansados de tanto gemer pelos nossos pecados e pelos de outros irmãos e pelos do mundo? Mas logo virá o Dia de Cristo.  

2- Davi estava cansado das noites indormidasV. 6: “Todas as noites faço nadar o meu leito, de minhas lágrimas o alago.” Ele tinha insônia, e muitas vezes era surpreendido com muitas lágrimas. Davi usa uma figura de linguagem, chamada hipérbole, que ocorre no texto quando o autor fala com exagero, figuradamente. Como disse Olavo Bilac, certa vez: "Rios te correrão dos olhos, se chorares!"  

“Todas as noites”, disse o salmista. Um famoso artista grego, artista do balé, festejado em todo o mundo como um dos maiores artistas do balé internacional, em palavras dramáticas traduziu a angústia de seu espírito, quando ele disse o seguinte: "Todas as noites me inquieto e não durmo! Jamais tenho me encontrado sozinho sem que as minhas mãos tremam, sem que os meus olhos se encham de lágrimas, sem que o meu coração se angustie." E completava: "Não tenho paz."

3- Davi estava cansado de tantas mágoas. Os relacionamentos de Davi eram muito complicados, porque ele era rei, profeta, pai e esposo. Ele era um líder espiritual do povo de Deus. Ele certamente, ocupando essa posição, ele tinha muitos adversários e inimigos. Ele transparecia em seus olhos as mágoas produzidas por tantos adversários. Ele se sentia amortecido e velho, desprezado e infeliz, vitimado pela mágoa da ingratidão.

Davi continua a sua queixa, e desabafa, no v. 7: “Meus olhos, de mágoa, se acham amortecidos, envelhecem por causa de todos os meus adversários.” Os olhos são um reflexo do corpo inteiro; se o corpo está abatido e fraco, certamente, isso será visto nos olhos. Davi estava envelhecendo prematuramente, mais rápido do que ele esperava. Seus olhos não enxergavam mais com a lucidez da juventude; sua cabeça se enchia de cabelos brancos; seus braços não tinham mais a força digna de heróis. Ele se sentia fraco, abatido e velho.

Por que isso? “Por causa dos meus adversários”, diz ele. As suas ameaças, suas perseguições, as suas calúnias, as suas traições – tudo isso conspirava contra a saúde de Davi. Mas quantos eram os seus adversários? Ele fala de “todos”. No Salmo 3:1, ele faz essa declaração: “Senhor, como tem crescido o número dos meus adversários! São numerosos os que se levantam contra mim.” Como não envelheceria Davi com tantos inimigos?

Nós também temos uma multidão de inimigos. Lutero enfrentou milhares de demônios em sua grande obra de Reforma, conspirando contra ele e seu trabalho. E ele sentiu a presença desses demônios, que procuravam matá-lo. A 6 de março de 1521, Lutero foi intimado a comparecer perante a Dieta Imperial em Worms, sendo-lhe assegurado salvo-conduto. Então, quando ele ia chegando àquela cidade, ele disse: “Ainda que houvesse em Worms tantos demônios como há telhas sobre as casas, contudo lá entrarei.” Nós sabemos que muitos deles estão prontos para nos desanimar e nos derrotar e até nos fazer envelhecer prematuramente.

IV – CERTEZA (8-10)

A 4ª coisa que aconteceu a Davi e pode acontecer com você foi a certeza.

1- Certeza de boas companhias. Davi sabe o que são boas companhias e toma providências para que as más companhias não se acheguem a ele. Davi queria ter certeza de que os seus amigos eram sinceros primeiramente com Deus. Então, se dirige aos seus adversários em tons de reprovação, como se estivesse diante deles. V. 8: “Apartai-vos de mim, todos os que praticais a iniqüidade.”

Este é o segredo para você ter boas companhias: Escolher os que são amigos de Deus e “quando os pecadores quiserem seduzir-te” pode dizer para eles com determinação, sem nenhum receio: “Apartai-vos de mim os que praticais a iniquidade!” Estas palavras servem para que saibamos escolher as nossas amizades. O perigo das más companhias é sempre muito grande especialmente para a juventude, mas também para todos. 

2- Certeza do Juízo divino. Davi profeticamente antecipou as palavras que serão pronunciadas no futuro. Cristo as usou no Seu famoso sermão do monte, ao se referir aos perdidos no Dia do Juízo, que pretensamente faziam a obra de Deus, mas a realizavam hipocritamente. Disse Cristo que muitos naquele dia hão de procurar se justificar. “Então, lhes direi explicitamente: nunca vos conheci. Apartai-vos de mim, os que praticais a iniqüidade.” (Mt 7:22-23). De fato, os ímpios dentre o povo de Deus não prevalecerão no Juízo. Não podemos pertencer ao mundo e ao reino de Cristo. Todos quantos não querem abandonar o pecado, todos que se apegam ao pecado ouvirão um dia as palavras da eterna reprovação divina: “Apartai-vos de Mim, os que praticais a iniqüidade!”

Estas palavras foram muito próprias para os inimigos de Davi, em seu tempo. Muitos deles reconheceram que estavam em um caminho perigoso, ao se colocarem contra o rei de Israel, e se arrependeram de suas rebeliões. Outros continuaram em sua teimosia e foram mortos, no início do reino de Salomão.

Estas palavras tem uma força muito grande para produzir um verdadeiro arrependimento. Quando uma pessoa está vivendo em pecado, quando um cristão está acariciando um pecado predileto e ouve estas palavras, e pensa na triste possibilidade de ficar fora da companhia de Cristo eternamente, ele ainda tem a oportunidade de voltar atrás e se arrepender para deixar o pecado e praticar a justiça. “Apartai-vos de Mim todos os que praticais a iniquidade”, serão as palavras de Cristo, o grande Juiz naquele dia memorável.

3- Certeza de salvação. O salmista termina o salmo com esta certeza: “O Senhor ouviu a voz do meu lamento; o Senhor ouviu a minha súplica; o Senhor acolhe a minha oração.” (v. 8-9). Davi tinha orado: “Senhor, salva-me por Tua graça!” Agora, ele declara a certeza de sua salvação: “O Senhor me ouviu.” No início do salmo 5 (5:1), o salmista pede por 3 vezes que a sua oração seja atendida. No final do salmo 6, ele afirma que Deus atendeu a sua oração e isso ele repetiu num paralelismo tríplice.

Davi poderia dizer com certeza que Deus atendia as suas orações. Ana podia dizer: “O Senhor ouviu a minha súplica” e eu tive o meu filho Samuel; Daniel podia dizer: “O Senhor ouviu a minha súplica” e nos revelou o sonho de Nabucodonozor e nos livrou da morte; Pedro podia dizer: “O Senhor ouviu a minha súplica” e me salvou da fúria da tempestade.

Nós também podemos dizer: “O Senhor ouviu a minha súplica” e agora estamos salvos do pecado e da morte, e temos a esperança da salvação e a certeza da vida eterna. Porque a oração que Deus atende mais prontamente é a súplica por salvação pela graça e misericórdia. Você também possui esta certeza? Deus ouve as suas orações? Se isso não acontece, você pode saber por quê? Há alguma coisa que você pode mudar, a fim de conseguir as respostas para as suas orações?

Você tem esta certeza? Você já passou pelo medo, pela salvação, pelo cansaço, e pela certeza? Você está baseado na graça de Jesus Cristo para a sua salvação? Tem o sangue de Cristo para libertá-lo? Se não, por que não dizer: “Senhor, tem compaixão de mim!”, e “Salva-me por Tua graça!”? 

Pr. Roberto Biagini
Mestrado em Teologia
prbiagini@gmail.com

SALMO 7 – VOCÊ FOI ACUSADO INJUSTAMENTE?

Estudando Salmos- 7


SALMO 7 – VOCÊ FOI ACUSADO INJUSTAMENTE?

INTRODUÇÃO (vs.1-2)

Todo discurso e todo sermão deve ter 3 partes indispensáveis: (1) Introdução, (2) Corpo e (3) Conclusão, ou se preferir, eles tem Começo, Corpo e Conclusão. E assim são os salmos que são sermões inspirados, que tem um começo, em que se introduz um assunto, tem um desenvolvimento dele, e logo a seguir, vem o final geralmente climático. Neste salmo, vemos uma introdução inicial, um assunto que se desenvolve por 3 palavras-chave, e um clímax no final. As 3 palavras que revelam todo o salmo 7 são estas: AcusaçãoJulgamento e Condenação.

Este salmo é considerado o primeiro dentre os Salmos Imprecatórios, que contém uma solicitação de juízo, calamidade ou maldição contra os inimigos do salmista, que são vistos como inimigos de Deus. Estes salmos tem deixado perplexos a muitos estudiosos, mas devemos levar em conta o propósito deles: (1) demonstrar o trato de Deus contra os ímpios, (2) dar uma oportunidade de arrependimento para eles, (3) vindicar os justos perseguidos e (4) motivar a todos, justos e injustos, a louvar a justiça divina, agora e no grande Julgamento divino.

O salmo 7 é introduzido com estas palavras de Davi: “Senhor, Deus meu, em ti me refugio; salva-me de todos os que me perseguem e livra-me; para que ninguém, como leão, me arrebate, despedaçando-me, não havendo quem me livre.” (v. 1-2).

Davi faz uma declaração diretamente a Deus, afirmando que Ele é o seu “Refúgio”. Toda oração geralmente começa com uma prece de gratidão, exceto quando a alma está atribulada. E esse era o caso daquele homem, que agora clamava dizendo: “Salva-me e livra-me!” Ele não orava por salvação do pecado; ele orava por livramento dos seus inimigos, que o perseguiam “como leão”.

Davi conhecia a força destruidora de um leão. Ele via leões destruindo vidas inocentes e indefesas, e certa vez, quando era jovem, ele apascentava as ovelhas de seu pai, e viu um leão levando uma ovelha em sua boca, e ele correu atrás do animal, e tirou a ovelha da boca do leão e o matou. Mas agora, ele temia um inimigo que se comparava a um leão mais forte do que ele, que podia arrebatá-lo, despedaçando-o, sem chance de escapar, sem uma possibilidade de livramento.

Que palavras desesperadoras: “não havendo quem me livre!” Parece bem com as palavras que são retratadas pelo apóstolo Paulo: “Desventurado homem que sou! Quem me livrará do corpo desta morte?” (Rm 7:24). Mas Paulo não falava de si mesmo, porque ele conhecia o seu Libertador; ele falava de um homem perdido, que, embora conhecesse a Lei de Deus, desconhecia o Salvador. Davi conhecia o seu Libertador, mas falou desse modo para ressaltar a sua desesperança se ele não tivesse a Deus como o seu Refúgio.

De fato, se não fosse a ajuda constante de Deus, seríamos despedaçados pelo nosso maior inimigo. Satanás é comparado a um leão, “que ruge procurando alguém para devorar” (1Pe 5:8). Os leões são traiçoeiros e se aproveitam das fraquezas de suas vítimas. E assim age Satanás e todos os nossos inimigos que nos ameaçam, e rondam procurando uma ocasião oportuna para atacar pelas costas, a fim de nos destruir. Mas, como Davi, nossa única esperança está em buscar o refúgio em nosso poderoso Deus.

I – ACUSAÇÃO (vs. 3-5)

V. 3-4: “Senhor, meu Deus, se eu fiz o de que me culpam, se nas minhas mãos há iniqüidade, [4]  se paguei com o mal a quem estava em paz comigo, eu, que poupei aquele que sem razão me oprimia.”

1 - Davi foi acusado falsamente. Ele usa as mesmas palavras que usou no verso 1, dirigindo-se ao “Senhor, meu Deus”, porque estas são as expressões de alguém que está ofendido e profundamente angustiado, sem poder achar uma solução para o seu caso. Ele disse: “se eu fiz o de que me culpam...” Ele estava sendo inculpado de alguma coisa que ele não praticara.

2 – Davi afirma a sua inocência. Diz ele: “se nas minhas mãos há iniqüidade...” Ele se nega a confessar um pecado que ele não praticou. O tríplice uso da palavra “se” indica claramente a afirmação de sua fidelidade. Davi já havia feito um protesto diante de Jônatas a quem dirigiu estas palavras: “Que fiz eu? Qual é a minha culpa? E qual é o meu pecado diante de teu pai, que procura tirar-me a vida?” (1Sm 20:1). Ele tinha uma consciência limpa e era fiel e verdadeiro.

3 – Davi revela o crime de que o acusavam. Notem o que ele diz: “se paguei com o mal a quem estava em paz comigo.” Isto se refere ao rei Saul porque logo ele acrescenta: “eu, que poupei aquele que sem razão me oprimia...” De acordo com o título, o salmo foi escrito “com respeito às palavras de Cuxe”. Esse homem era um parente de Saul, da mesma tribo de Benjamim. Ele havia caluniado a Davi, acusando-o de conspiração contra o rei Saul, a fim de matá-lo. Quando Davi se defrontou com o rei Saul disse-lhe: “Por que dás tu ouvidos às palavras dos homens que dizem: ‘Davi procura fazer-te mal!’?” (1 Sam 24:9).
  
Esta foi a explicação de Davi ao rei Saul, quando foi instigado a matar o rei Saul, o seu inimigo opressor: “Os teus próprios olhos viram, hoje, que o Senhor te pôs em minhas mãos nesta caverna, e alguns disseram que eu te matasse; porém a minha mão te poupou; porque disse: Não estenderei a mão contra o meu senhor, pois é o ungido de Deus.” (1Sm 24:10). Davi tinha mostrado claramente sua inocência ao poupar a vida de Saul, quando ele podia tê-lo matado facilmente.

Este é o fato: acusação falsa de conspiração contra um homem de Deus que tinha a misericórdia de até poupar a vida de um grande inimigo seu, que procurava matá-lo a todo custo, em muitas ocasiões, vivendo “à caça de minha vida”, “como leão” (disse ele, 1Sm 24:11)! Assim era Davi. Não admira que fosse chamado de “o homem segundo o coração de Deus” (At 13:22), porque Deus é misericordioso até com os Seus piores inimigos, poupando a vida deles, e dando-lhes oportunidade de se arrependerem para serem salvos e viverem eternamente com o Seu Benfeitor!

4 – Davi faz o juramento de sua inocência. Disse no v. 5: [Se eu sou culpado] “persiga o inimigo a minha alma e alcance-a, espezinhe no chão a minha vida e arraste no pó a minha glória”. É como se diz hoje em dia: “Se eu fiz isso, quero que caia um raio do céu na minha cabeça!” Isto é um juramento; ele está disposto a sofrer, se ele for culpado de alguma coisa de que é acusado. Isso indica que ele realmente é inocente, e usa uma linguagem muito forte, quase em desespero, para se defender diante de Deus.

Com efeito, o veneno da calúnia pode levar a vítima ao desespero ou à loucura. As palavras de Cuxe feriram os sentimentos de Davi, atacaram a sua reputação e destruíram a sua paz.

Conta uma lenda que os animais um dia perguntaram, desafiando a serpente:
 - O leão, disseram eles, atira-se contra a presa, mata-a e devora-a. O lobo estraçalha a ovelha que lhe serve de alimento. O tigre, quando faminto ataca o carneiro e arrasta-o para o seu covil. Mas você, malvada serpente, o que faz? Pica a sua vítima e transmite o veneno para ela. Ora, que proveito você tira da sua perversidade peçonhenta?
Contorcendo-se, responde a serpente:
- Nada espero dos golpes venenosos que eu aplico. Do mal que faço, não tiro o menor proveito. Sigo traindo, envenenando, semeando a dor e a morte, mas não sou pior que o caluniador”.   (Malba  Tahan).

A Bíblia diz que muitos outros foram caluniados, acusados injusta e falsamente, e sofreram muito por causa de pessoas perversas e invejosas. (1) José do Egito foi acusado injustamente de seduzir a mulher de Potifar. (2) Jeremias foi acusado de profetizar falsamente em nome do Senhor contra Jerusalém. (3) Daniel foi acusado de rebelião contra o decreto do rei Dario. (4) Paulo foi acusado pelos judeus de ensinar contra a lei. (5) Jesus Cristo foi acusado de blasfêmia, de traição e de insurreição contra Roma, e foi “açoitado para pacificar os acusadores” (O Desejado de Todas as Nações, p. 732).

Era tempo de guerra. Aprisionaram um soldado que regressara ao acam­pamento, vindo de uma mata próxima. Ele foi acusado de estar traindo o seu exército, mantendo contato com o inimigo e foi levado à presença do comandante.
- O que você estava fazendo naquela mata, àquela hora da noite? - perguntou o oficial.
- Fui ali para orar por mim, fazer uma oração ao meu Deus - respondeu o jovem.
Não convencido, o comandante ordenou friamente que o jovem se ajoelhasse e orasse.
- Se você tem o hábito de orar tanto por auxilio, faça-o agora.
Compreendendo que a acusação de traição poderia significar morte, o jovem caiu de joelhos, e desabafou o coração diante de Deus. Foi patente, em vista de sua fervorosa conversa com o Senhor, que esta não era uma nova experiência em sua vida. Ao soltar ele as últimas palavras e abrir os olhos, viu uma nova expressão da fisionomia do comandante.
- Ergue-te - disse simplesmente o oficial - pode ir embora. Creio no que você disse; do contrário, não poderia fazê-lo tão bem como fez agora.

Disse o apóstolo Paulo que todos os cristãos sofrerão perseguição; todos os que pretendem servir a Deus serão chamados a suportar as mais vis calúnias e falsas acusações (2Tm 3:12). A Bíblia também diz que Satanás nos acusa de dia e de noite (Ap 12:10). Portanto, o salmo 7 contém uma grande mensagem de conforto e esperança para todos os cristãos. Esta é também uma mensagem escatológica, porque traz uma grande consolação a todos os que no tempo do fim são injustamente perseguidos. Ele contém um grande encorajamento para o remanescente fiel quando for vítima das maldições do conflito final com os poderes das trevas, e quando for acusado falsamente.

II – JULGAMENTO (vs. 6-11)

Davi apela para a intervenção divina. Ele disse, v. 6: “Levanta-te, Senhor, na Tua indignação!” Este é um apelo para que Deus tome uma iniciativa, e intervenha a fim de julgar o seu caso. Ele estava sofrendo horrivelmente pela língua caluniosa dos seus inimigos, e de Cuxe em particular. “Mostra a Tua grandeza contra a fúria dos meus adversários!” Isso demonstra claramente que os seus inimigos queriam destruí-lo, e estavam ferozes contra ele. Mas ele sabia que Deus estava indignado contra eles.

Toda acusação será levada a julgamento; senão dos homens, o caso será levado a julgamento divino. Toda palavra proferida tem as suas conseqüências ou para o bem ou para o mal de quem a proferiu. Disse Jesus Cristo sobre este solene assunto: “Digo-vos que de toda palavra frívola que proferirem os homens, dela darão conta no Dia do Juízo; porque, pelas tuas palavras, serás justificado e, pelas tuas palavras, serás condenado.” (Mt 12:36-37).

Mas Davi responde a pergunta: Como será o Julgamento divino?

1 – O Julgamento será universalV. 7: “Reúnam-se ao redor de Ti os povos!” V. 8a: “O Senhor julga os povos”, como foi no passado, e como será no futuro! Davi não tem receio da presença de todos os povos para presenciar ao julgamento de sua causa. Ele mesmo chama agora os povos reunidos para serem suas testemunhas. Ele lembra que o seu próprio povo contemplava as suas perseguições, e ouvia as acusações contra ele, e muitos estavam na dúvida.  

Ele prevê o dia do grande Juízo em que todos universalmente comparecerão diante do Tribunal divino, em que Deus estará acima de todas as nações da Terra. A doutrina do Juízo é encontrada em muitos lugares na Bíblia, e nos salmos isto é uma realidade impressionante. “O Senhor julga os povos”!

2 – O Julgamento será individual.V. 8b: “Julga-me, Senhor!” Embora seja um julgamento universal, cada pessoa será julgada separadamente. Davi faz um forte apelo para que Deus venha julgá-lo pessoalmente. “Se Deus julga a todos os povos, por que Se demora em me julgar e defender a minha causa?” Não é admirável que ele peça que Deus o julgue? Não seria de se temer o julgamento divino? Não, pelo contrário; ele temia mais o juízo humano; porque ele já estava sendo julgado pelos homens que o condenaram por atos que ele não praticara, e, portanto, julgaram mal ao inocente. Eles queriam matá-lo, porque o juízo dos homens é preconceituoso, injusto, e implacável. Mas Davi, então, recorre ao julgamento de Deus.

Neste ponto, fazemos 3 perguntas pertinentes:
(1) Os justos serão julgados? Esta é a verdade mais clara do texto. Davi era um homem justo e queria ser julgado por Deus. Mas, pergunte aos teólogos populares e eles responderão que os cristãos não serão julgados. Eles dizem que os cristãos não precisam de julgamento, e não passarão pelo tribunal porque eles já estão justificados. Esses teólogos sem teologia baseiam o seu argumento em João 3:18: “Quem nele crê não é julgado; o que não crê já está julgado.” Mas o que acontece é que eles estão baseando a sua doutrina no equívoco de uma tradução.

A palavra grega original é “krino”, que significa “julgar”, mas também significa “condenar, punir”. A versão Corrigida diz: “Quem crê nele, não é condenado”, corretamente. De fato, quem crê em Cristo não será condenado, como afirmou Paulo: “Agora, pois, já nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus.” (Rm 8:1). Portanto, os cristãos não serão condenados, mas serão julgados. Entretanto, ao invés de temer o julgamento, eles, como Davi, querem apressar a Deus para que os julgue e vindique a sua causa contra os seus inimigos opressores. Disse Davi: “Julga-me, Senhor!”

(2) Qual era o critério de Davi? Ele mesmo diz, v. 8: “segundo a minha retidão e segundo a integridade que há em mim.” Davi queria ser julgado pela sua retidão e integridade. Mas como pode Davi se dirigir a Deus e apresentar a sua justiça? Não é estranho que Lhe apresentasse esse critério e esta condição, quando se esperava dele que se humilhasse e confessasse a sua culpa? Ele disse no Salmo 40:12: “Não têm conta os males que me cercam; as minhas iniqüidades me alcançaram, tantas, que me impedem a vista; são mais numerosas que os cabelos de minha cabeça.”

Como poderia ele apresentar alguma justiça diante de Deus? A pergunta é correta, mas está fora de contexto. Davi apresentava a correção de sua vida com relação às coisas de que o julgavam e ele sabia com toda a certeza que não tinha praticado aquilo de que o acusavam. Este era um caso específico em que um homem justo estava sendo condenado e acusado injustamente.

 (3) Qual é o grande desafio de hoje? Integridade. Davi tinha um caráter íntegro, e os cristãos também a possuem. Prega-se em nosso tempo muito sobre os pecados dos cristãos, mas pouco, ou quase nada, sobre a integridade deles. Os cristãos sinceros são íntegros. Vemos em nosso mundo pessoas que mentem, roubam, adulteram e matam com muita tranquilidade. Os cristãos revelam a sua integridade nas circunstâncias mais difíceis, nos momentos mais dramáticos de sua vida. Eles não mentem como é comum em nossa sociedade. Eles não se aproveitam das horas em que o seu patrão está fora de sua vista. Eles são fiéis à sua esposa. Não entram em confusão e respeitam as pessoas, e não são vistos em brigas com os outros. Eles sabem amar e são pessoas em quem se pode confiar.

3 – O Julgamento será vindicatórioV. 9: “Cesse a malícia dos ímpios, mas estabelece tu o justo!” Os justos serão vindicados, justificados, defendidos perante todos, e então, eles serão estabelecidos e os ímpios derrotados, e cessarão a sua malícia. Os falsos acusadores saberão que suas mentiras serão expostas diante de todo o Universo. E eles ficarão sem poder dizer nada para se justificar. Será uma situação terrível e embaraçosa. Então, o mal cessará; o pecado não se levantará pela segunda vez. Então, os justos serão estabelecidos para sempre num reino eterno. E Deus será glorificado!

4 – O Julgamento será justoPor 2 razões, claras nos v. 9b-11:
(1) Deus tem o poder. Deus é onisciente: “Sondas a mente e o coração!” (v. 9). Deus é tão sábio que pode penetrar até na mente do homem e nada escapa ao seu olhar penetrante e perscrutador. Ele é capaz de ler os pensamentos da mente e perceber os sentimentos e afeições do coração. Ele é sábio demais para errar, e vê o coração além das aparências. Ele não julga pelo exterior, mas vê o coração de cada um, e julga pela reta justiça. Se é assim, Ele tem o poder para fazer justiça.

(2) Deus tem o caráter. Deus não somente tem o poder para fazer justiça, como também tem o caráter justo; Ele é chamado de “justo Juiz” (v.11). “Deus é o meu escudo; Ele salva os retos de coração.” Davi confia em Deus como o seu Escudo porque tem certeza de que Deus o salvará de seus inimigos que desejavam a sua morte. Mas o Senhor é o “justo Juiz”, e, portanto, Ele faz distinção entre pessoas, salvando “os retos de coração” e demonstrando a Sua indignação e ira contra os ímpios.

Mas esta declaração do v. 10 é polêmica: “Ele salva os retos de coração”! Como assim? Deus salva os justos? Então, temos de ser justos e retos para que Deus nos salve? Isso não é salvação pelas obras? Como entender estas palavras? A resposta fica por conta do contexto. Salvação aqui se refere à libertação dos que nos oprimem e nos acusam injustamente. Davi desejava esta libertação, e por isso confiava em Deus como o seu Refúgio (v. 1) e como o seu Escudo (v. 10), Aquele que salva e livra os que são retos e íntegros e tem uma vida em harmonia com os ditames da Sua Lei. 

III – CONDENAÇÃO (v. 12-16)

Agora, o salmista apresenta a sorte dos ímpios e dos que gostam de dar um falso testemunho a respeito do caráter íntegro dos filhos de Deus. Ele responde agora à seguinte pergunta: Como serão os ímpios condenados?

1 – Os ímpios serão condenados por um Deus justoV. 12-13: “Se o homem não se converter, afiará Deus a sua espada; já armou o arco, tem-no pronto; para ele preparou já instrumentos de morte, preparou suas setas inflamadas.” Muitos dizem que Deus não condena a ninguém. Mas nós encontramos outra história na Bíblia. Deus condenou a Adão e Eva, e os expulsou do Paraíso. Deus condenou a Sodoma e Gomorra com fogo e enxofre. De condenou a Ananias e Safira, da igreja primitiva. Condenou a Herodes. A Sua espada está preparada e as Suas flechas prontas contra todos os ímpios que não se converterem. Ele pode fazer isto por ser um Deus justo que não Se compraz com o pecado e a iniquidade. Ele sempre condena o pecado, seja em quem estiver!

Mas estas palavras estão cheias de esperança. O salmista apresenta uma condição, cuja recíproca também é verdadeira, segundo a qual se os homens se converterem, o Senhor desviará deles a Sua espada e as Suas setas inflamadas, a fim de que possam ser salvos. Mas se eles não se converterem, serão condenados porque Deus é justo e não pode inocentar ao ímpio.

2 – Os ímpios serão condenados por seus pecadosV. 14: “Eis que o ímpio está com dores de iniqüidade; concebeu a malícia e dá à luz a mentira.” Em figura, a fertilidade para o mal é comparada ao processo de gestação e parto. No simbolismo da poesia deste salmo, o ímpio produz o engano e a mentira naturalmente. O pecado é a vida do ímpio. O pecado está nele por dentro e por fora. Nos seus pensamentos, palavras e atos. O ímpio nasce no pecado, cresce no pecado e respira no pecado. Não admira que as pessoas digam frequentemente: “Que mal tem isso?” Entretanto, “quanto ao perverso, as suas iniqüidades o prenderão, e com as cordas do seu pecado será detido.” (Pv 5:22).

3 – Os ímpios serão condenados por suas próprias mãosV. 15-16: “Abre, e aprofunda uma cova, e cai nesse mesmo poço que faz. A sua malícia lhe recai sobre a cabeça, e sobre a própria mioleira desce a sua violência.” Hamã ergueu uma forca para o justo Mardoqueu, mas ele é que foi enforcado nela. A sua maldade e violência lhe recaiu sobre a sua própria cabeça, porque “tudo o que o homem semear, isso também ceifará” (Gl. 6:5). O mal traz sua própria punição contra o malfeitor. O justo Juiz destruirá aqueles que perseguem os cristãos fazendo sua violência cair sobre as suas próprias cabeças.

CONCLUSÃO (v. 17)

Davi, finalmente conclui este salmo com as palavras gloriosas: “Eu, porém, renderei graças ao Senhor, segundo a sua justiça, e cantarei louvores ao nome do Senhor Altíssimo.” Este é o seu grande clímax. Esta é a maior razão por que Davi tanto procurava o julgamento divino. Este é o motivo mais impressionante por que Davi podia ter segurança de que seria salvo: a justiça de Deus. Ele sabia que o seu caso seria julgado a seu favor, porque Deus vê o coração sincero e amorável, e não julga pelas aparências, e é capaz de revelar a justiça que emoldura o seu caráter maravilhoso.

Portanto, qual seria a atitude natural e espontânea de Davi? Gratidão e louvor. Ele rende graças a Deus por Sua justiça e canta os seus louvores ao nome de um Deus que tem o Seu trono soberano no Universo, como o Excelso Senhor Altíssimo.

Precisamos ter esta experiência em nossa própria vida. Necessitamos conhecer mais da justiça misericordiosa de Deus. E se você também está decepcionado com algumas pessoas, se você também foi acusado injustamente, este é o momento de voltar-se para Deus e louvar a Sua justiça imparcial e compassiva, em favor de sua libertação. Os resultados serão logo vistos e sentidos.

Roberto Biagini
Mestrado em Teologia
prbiagini@gmail.com